Caçada a ladrões de banco acaba em denúncia contra policiais

Fonte: Portal Gaz

O cerco à quadrilha que assaltou o Sicredi de Vale Verde na última quinta-feira já completava 92 horas na manhã desta segunda-feira, 12, quando a Brigada Militar capturou quatro suspeitos, que teriam tentado resgatar os ladrões. O grupo, formado por dois homens, de 42 e 39 anos, e duas mulheres, de 47 e 32, foi detido em Vila Mariante, no interior de Venâncio Aires, e levado para depor na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) do município por volta das 11 horas. Conforme a Brigada, eles estavam divididos em dois carros, um Gol Vermelho e um Jac J2 preto, interceptados em pontos diferentes da localidade, quanto tentavam resgatar os comparsas que atacaram a agência na semana passada.

Em depoimento à Polícia Civil, no entanto, os suspeitos relataram que já estariam presos desde a noite de domingo, e teriam passado a madrugada desta segunda sendo agredidos e torturados por policiais militares. Segundo os relatos, um dos homens teria sido obrigado a ficar nu e a sentar em uma estrada de chão, onde teria sido sufocado com uma camiseta molhada até desmaiar. Os policiais também teriam tentado introduzir uma barra de ferro no ânus do suspeito.

Com o homem estaria uma das mulheres, que teria sido obrigada a tirar a roupa e permanecer nua por cerca de uma hora, até fornecer a senha do seu celular para os PMs. Os dois teriam sido liberados somente às 11 horas dessa segunda, quando foram levados para exame de lesão corporal na UPA e apresentados na DPPA em seguida. Um terceiro suspeito relatou ter sido agredido, obrigado a ficar nu e recebido socos e pontapés dos PMs, que exigiam que confessasse o roubo ao banco e revelasse nomes dos supostos comparsas. Ele também teria sido asfixiado com a própria camiseta até quase perder a consciência. As agressões teriam durado cerca de uma hora.

De acordo com o delegado regional e titular da DP de Vale Verde, Luciano Menezes, no fim da tarde PMs ainda teriam invadido a casa de uma das suspeitas, no município de Fazenda Vila Nova, onde foram encontrados objetos que ligariam a mulher à quadrilha que roubou o banco. Esses itens incluíam miguelitos, moedas e cédulas, e uma roda que originalmente esteve no Honda City capotado pelo bando logo após o assalto. "São objetos que poderiam ligar a suspeita ao crime, mas que se tornaram prova imprestável porque os policiais militares invadiram a casa sem mandado judicial", comentou.

Ainda segundo Luciano Menezes, os depoimentos dos suspeitos serão integrados ao inquérito do Deic, que apura o assalto. "Diante das alegações de que esses indivíduos foram mantidos em cárcere privado e severamente torturados durante a madrugada, para confessar o nome e o paradeiro dos assaltantes que eles foram buscar, os elementos de prova serão encaminhados para a Corregedoria da Brigada Militar e para o Ministério Público", afirmou.

O que diz a Brigada Militar

Questionado sobre as queixas de agressões supostamente cometidas pelos PMs, o subcomandante do 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major Fábio Azevedo, afirmou acreditar que as informações não procedem. "Estávamos com um contingente muito grande e não ouvi nenhum comentário sobre isso, não acredito que tenha ocorrido. Os suspeitos foram abordados e logo em seguida presos, interrogados e levados para a DP de Venâncio. Acredito que estejam querendo desviar a atenção, e isso é algo para se apurar depois. Não vamos fazer um pré-julgamento, mas se isso for formalizado e o comandante entender que é algo consistente, com certeza será averiguado", disse. Ainda segundo o major, a BM segue nas buscas pelos assaltantes, mas o cerco aos criminosos já foi desarticulado.

O que se sabe sobre os quatro suspeitos

Segundo informações da Polícia Civil, os quatro suspeitos detidos em Vila Mariante estariam de fato tentando resgatar os criminosos que assaltaram o Sicredi de Vale Verde. Eles estariam divididos em dois carros. Uma das mulheres seria companheira de um dos assaltantes, já a outra seria enfermeira do Presídio de Lajeado e teria sido levada até o local porque um dos ladrões estaria ferido.

No carro que o bando capotou após o assalto, e em uma das espingardas calibre 12 que eles abandonaram no mato, a perícia encontrou sangue, que será enviado para análise. A enfermeira e um dos suspeitos teriam resgatado dois assaltantes em uma casa no interior e largado a dupla perto do Rio Taquari, que seria atravessado de caiaque.

Do outro lado estariam os outros dois suspeitos (a mulher do assaltante e o comparsa) que fariam o resgate do restante no caminho. No entanto, eles foram detidos antes. Com a companheira do ladrão que seria resgatado foram encontrados R$ 4,7 mil, mas a mulher alegou que o dinheiro seria uma indenização trabalhista. Após serem ouvidos na delegacia de Venâncio Aires, os quatro foram liberados.

Ainda de acordo com a polícia, cinco pessoas teriam assaltado o banco na última quinta-feira. Duas delas já foram identificadas. O líder do roubo seria um homem de 49 anos, de Lajeado, e o outro o companheiro de uma das mulheres detidas ontem, de 33 anos. "A polícia trabalha agora para identificar os outros três suspeitos e produzir provas para que eles sejam presos", afirmou o delegado regional Luciano Menezes.

Criminosos renderam moradores no interior

Também nessa segunda, um homem de 42 anos compareceu à delegacia de Venâncio Aires para contar que teve a casa invadida por desconhecidos que se identificaram como os assaltantes do Sicredi de Vale Verde. Ele relatou que estava chegando em casa de moto com a mãe e estranhou que estava tudo escuro. Ao ligar a lanterna do celular e entrar na residência, foi rendido por dois homens armados. Eles teriam afirmado que não queriam nada, apenas fugir. Os celulares da vítima e da mãe foram roubados pelos criminosos, que trocaram os chips e começaram a usar os aparelhos.

O morador e a mãe foram amarrados e a irmã, deficiente, foi levada para um quarto. O pai do homem de 42 anos, rendido mais cedo, também permaneceu sob a mira de armas. Pouco tempo depois, um veículo chegou para resgatar a dupla. Dentro do carro havia dois indivíduos com armas longas, que usavam camiseta e capuz para esconder o rosto, além de luvas pretas. Os bandidos ainda deixaram R$ 700,00 para consertar uma porta que teriam arrombado.

Quando os criminosos foram embora, o pai da vítima contou que eles haviam chegado, se apresentado como assaltantes e pedido comida. Após afirmar que não iriam machucar ninguém, comeram uma galinhada. A suspeita da polícia é de que essa é a casa onde a enfermeira e um dos suspeitos apreendidos pela BM teriam resgatado os criminosos antes de os levarem para as proximidades do rio. Os R$ 700,00 foram apreendidos pela BM.

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