oestepopular
 

Chapecoense terá a menor arrecadação com TV em 2019

Blog simulou os valores recebidos por todos os clubes da primeira divisão do Grupo Globo e da Turner. Resultado aponta para início de transição, porém ainda com graves problemas a resolver.

Com informações Globo Esporte

Inspirado por fórmulas bem-sucedidas na Europa, no futebol brasileiro começou a vigorar em 2019 um novo modelo para a distribuição do dinheiro de emissoras de televisão - mais especificamente, recursos do Grupo Globo e da Turner, empresas que compraram os direitos de transmissão pelo período que compreende de 2019 a 2024.

Baseado nas premissas de ambas as emissoras e nos valores apurados e checados com dirigentes dos clubes, o blog estimou quanto recebeu cada participante da primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Os valores não são oficiais. Mesmo hospedado pelo GloboEsporte.com, este blog não teve acesso a informações privilegiadas por parte do Grupo Globo. A Turner também não abriu valores à reportagem.

O blog entra no assunto para esclarecer de que maneira os direitos de transmissão estão sendo divididos pelo futebol brasileiro. E a conclusão, em síntese, é de que o sistema adotado para as televisões aberta e fechada foi bem-sucedido no propósito de equilibrar os campeonatos nacionais. Mas ainda há problemas graves a corrigir no todo, em particular quando se trata da distribuição do pay-per-view.

Como funciona o novo modelo

Valores eram determinados até 2018 por negociações unilaterais entre clubes e emissoras. A depender do perfil do clube (tamanho de torcida, renda e local de residência do torcedor, potencial de audiência) e das circunstâncias da negociação (condições financeiras, capacidade de barganha), as cifras eram decididas individualmente.

As agremiações mais populares levavam vantagem e assinavam contratos de longa duração. Valores eram fixos, então podiam ser antecipados via empréstimos bancários. Clubes com menos torcedores ou afastados do Sudeste conseguiam contratos com um ano só.

A partir de 2019, o Brasil importou o modelo que ficou famoso no mundo por meio da Premier League, a liga de futebol da Inglaterra. Embora as negociações ainda aconteçam de maneira individual no futebol brasileiro - em vez de coletiva, por meio de liga -, clubes assinam com Globo e Turner e fazem parte de um sistema que distribui a verba de acordo com parâmetros pré-determinados.

No Grupo Globo, a televisão aberta (Globo) distribuiria R$ 600 milhões no total, e a televisão fechada (SporTV) distribuiria R$ 500 milhões. O dinheiro passou a ser dividido da seguinte maneira.

40% são divididos igualmente entre todos os clubes

30% são divididos conforme número de jogos transmitidos

30% são divididos de acordo com colocação na tabela

Na Turner, companhia americana que comprou o brasileiro Esporte Interativo e comprou apenas direitos para a TV fechada (TNT), a quantia inicial seria de R$ 520 milhões. Distribuídos no seguinte critério.

50% são divididos igualmente entre todos os clubes

25% são divididos conforme a audiência dos jogos

25% são divididos de acordo com colocação na tabela

Além disso, a Globo ainda gastaria R$ 650 milhões com a compra dos direitos de transmissão no pay-per-view (Premiere FC) em 2019. Os valores seriam repartidos conforme uma pesquisa encomendada pela emissora a um instituto de pesquisas em cima da base de assinantes.

Também foi firmado um compromisso para que a Globo avançasse na criação de um cadastro dos assinantes de cada time no Premiere, a partir de 2020, quando o valor global passaria a R$ 700 milhões.

Essas foram as regras estabelecidas nas negociações que aconteceram em 2016, após concorrência entre Globo e Turner, levando em consideração reivindicações dos próprios clubes. Os acordos foram assinados naquele momento e começaram a vigorar em 2019.

O equilíbrio nas tevês aberta e fechada

O Flamengo foi o clube com a maior cota de televisão nas plataformas aberta e fechada, seguido de perto por Athletico-PR, Grêmio, Palmeiras e São Paulo. A ordem dos clubes é diferente da anterior, na qual atleticanos e gremistas estavam distantes dos flamenguistas. A diferença entre a maior e a menor cota também caiu drasticamente. A Chapecoense recebeu metade do melhor remunerado.

O blog estimou e publica abaixo, na tabela, os valores correspondentes a cada um dos critérios demonstrados nos parágrafos anteriores.


A distribuição do dinheiro das tevês aberta e fechada em 2019 



Clube Iguais  Transmissões  Performance  Total

Flamengo R$ 22.000.000 R$ 11.705.392 R$ 33.000.000 R$ 66.705.392

Athletico-PR R$ 22.000.000 R$ 23.500.006 R$ 19.400.000 R$ 64.900.006

Grêmio R$ 22.000.000 R$ 14.359.518 R$ 28.050.000 R$ 64.409.518

Palmeiras R$ 22.000.000 R$ 19.048.063 R$ 21.200.000 R$ 62.248.063

São Paulo R$ 22.000.000 R$ 12.368.923 R$ 24.750.000 R$ 59.118.923

Corinthians R$ 22.000.000 R$ 14.509.685 R$ 21.450.000 R$ 57.959.685

Santos R$ 22.000.000 R$ 13.059.115 R$ 22.100.000 R$ 57.159.115

Goiás R$ 22.000.000 R$ 16.012.060 R$ 18.150.000 R$ 56.162.060

Internacional R$ 22.000.000 R$ 15.238.982 R$ 17.600.000 R$ 54.838.982

Atlético-MG R$ 22.000.000 R$ 19.805.364 R$ 12.210.000 R$ 54.015.364

Fluminense R$ 22.000.000 R$ 18.315.562 R$ 11.880.000 R$ 52.195.562

Botafogo R$ 22.000.000 R$ 18.315.562 R$ 11.550.000 R$ 51.865.562

Vasco R$ 22.000.000 R$ 14.847.737 R$ 13.200.000 R$ 50.047.737

Bahia R$ 22.000.000 R$ 10.786.975 R$ 12.740.000 R$ 45.526.975

Ceará R$ 22.000.000 R$ 8.503.238 R$ 11.120.000 R$ 41.623.238

Avaí R$ 22.000.000 R$ 18.991.665 Zero R$ 40.991.665

CSA R$ 22.000.000 R$ 18.328.134 Zero R$ 40.328.134

Cruzeiro R$ 22.000.000 R$ 16.500.279 Zero R$ 38.500.279

Fortaleza R$ 21.000.000 R$ 5.934.066 R$ 10.800.000 R$ 37.734.066

Chapecoense R$ 22.000.000 R$ 14.209.350 Zero R$ 36.209.350

Total R$ 439 milhões R$ 304 milhões R$ 289 milhões R$ 1,032 bilhão

Fonte: Rodrigo Capelo

Algumas particularidades ajudam a entender os números:

Seis clubes assinaram contratos Globo e Turner ao mesmo tempo. Neste caso, eles estão enquadrados no 40-30-30 para a televisão aberta e no 50-25-25 para a fechada. São eles Athletico-PR, Bahia, Ceará, Internacional, Santos e Palmeiras.

O Fortaleza também vendeu os direitos da tevê fechada para a Turner, mas estava na Série C no momento da assinatura. Por isso não faz parte do sistema de distribuição. Em vez disso, recebeu apenas R$ 9 milhões, computados pelo blog na parte igualitária.

O Athletico-PR não assinou com a Globo pelo pay-per-view. Em contrapartida, a emissora aumentou a quantidade de transmissões nas televisões aberta e fechada para atender o torcedor. Isso fez do clube paranaense a maior receita nos 30% referentes às exibições.

Os quatro rebaixados não receberam nada em termos de performance. Os quatro tinham contrato com a Globo. A emissora entende que essa característica merece ser revista para 2020. Os rebaixados precisariam ter direito a alguma verba nesses 30%.

Na televisão fechada, os valores dedicados pelas emissoras foram proporcionais ao número de clubes que fechou com elas. Em outras palavras, a Globo pagaria R$ 500 milhões e a Turner gastaria R$ 520 milhões somente se elas tivessem todos os 20 clubes do Brasileiro.

Como não tinham os direitos de todos os competidores, as verbas foram racionadas proporcionalmente ao número de clubes com contrato. A Globo distribuiu 13/20 da quantia que havia prometido, e a Turner repassou 6/20 - a lembrar que o Fortaleza ficou fora da partilha.

Também houve uma alteração nos valores da Turner. A princípio, o montante proporcional aos seis clubes com contrato seria de R$ 156 milhões no total. Essa quantia foi reduzida para R$ 120 milhões - R$ 60 milhões foram repartidos igualmente, R$ 30 milhões ficaram condicionados às audiências, e R$ 30 milhões, às colocações na tabela.

Os clubes que assinaram com a Turner também entraram em acordo sobre a parte condicionada à performance. Em vez de obedecer a uma pirâmide, dirigentes optaram por repartir os R$ 30 milhões em partes iguais para todos os seis clubes. O acordo poderá ser revisto no ano que vem, caso os cartolas decidam repartir a grana de modo meritocrático.

Para estimar a parcela vinculada ao número de transmissões na Globo, o blog usou a tabela publicada pela CBF para saber em quais plataformas e canais cada partida foi exibida. No caso da Turner, que usou audiências como critério em vez da quantidade de transmissões, o blog buscou os pontos no Ibope de todos jogos transmitidos pelo TNT e calculou a participação de cada um dos clubes sobre o total.

O desequilíbrio no pay-per-view

Enquanto as televisões aberta e fechada contribuem para que o futebol brasileiro fique mais equilibrado financeiramente, o pay-per-view puxa para a desigualdade. Ainda não há informação suficiente para simular valores, mas é possível cravar que há desequilíbrio por causa de uma distorção que não foi prevista na concepção do modelo anos atrás.



Endereço: Avenida Brasil, nº 148, Centro - Palmitos/SC | CEP 89887-000
Telefone: (49) 9 9102-4755
Whatsapp: (49) 9 9933-0022
E-mail: jornaloestepopular@gmail.com